Amnésia Infantil: Por que fotografar a infância pode ser tão importante

Você se lembra do seu primeiro aniversário?
Se recorda de uma viagem em família aos 3 anos?

Provavelmente, não.

Isso não significa que nada aconteceu ou que você não tenha vivido experiências importantes nessa fase. Existe um fenômeno estudado pela psicologia chamado amnésia infantil — ou amnésia da infância — que ajuda a explicar por que, quando adultos, temos poucas lembranças autobiográficas dos primeiros anos de vida.

A criança vive. Mas nem tudo permanece como lembrança

Durante muito tempo, uma das explicações para a amnésia infantil foi imaginar que as experiências dos primeiros anos simplesmente não eram registradas pela memória. Hoje, as pesquisas mostram um cenário mais interessante.

Bebês e crianças pequenas são capazes de formar memórias de acontecimentos. Essas memórias se desenvolvem e se tornam mais elaboradas ao longo da infância, enquanto as memórias dos primeiros anos são mais vulneráveis ao esquecimento.

Por isso, uma pessoa adulta pode ter pouquíssimas lembranças autobiográficas dos seus primeiros anos de vida, mesmo tendo vivido milhares de experiências nessa época.

E é aqui que entra a fotografia.

Imagine uma criança comemorando seu aniversário de 3 anos.

Ela está cercada pela família, brincando e vivendo uma experiência que, naquele momento, é completamente real e importante para ela. Durante semanas ela vai falar sobre o que aconteceu nesse evento,

Mas talvez, muitos anos depois, ela não consiga se lembrar daquela festa.

Isso não diminui a importância daquele momento. Pelo contrário. Talvez seja justamente por isso que ele mereça ser registrado.

A fotografia pode se tornar uma das formas que a pessoa, no futuro, entre em contato com informações sobre uma fase da vida que dificilmente conseguiria reconstruir sozinha.

As imagens mostram o rosto dos pais, a casa onde morava, o tamanho que tinha, as pessoas que faziam parte da sua rotina e tantos detalhes que fazem uma experiência se tornar uma história.

A fotografia pode ser uma pista para a memória

É importante não confundir isso com dizer que uma foto “devolve” uma memória perdida. Não é tão simples.

Pesquisas sobre memória autobiográfica mostram que pistas externas podem ajudar na recuperação de informações sobre acontecimentos pessoais. Fotografias são um exemplo desse tipo de pista: elas podem fornecer elementos que ajudam a pessoa a acessar ou reconstruir informações sobre um acontecimento passado.

Por isso, quando uma criança adulta olha para uma foto de quando era pequena, pode não pensar:

“Eu me lembro exatamente desse momento.”

Pode acontecer algo diferente:

“Eu estava lá.”

E a partir daquela imagem, outras informações podem aparecer — histórias contadas pela família, nomes, lugares, pessoas, acontecimentos e pequenos detalhes que ajudam a construir a narrativa daquela infância.

Algumas fotografias serão vistas pela primeira vez muitos anos depois

Existe algo particularmente bonito nisso.

Quando fotografo uma criança pequena, sei que talvez ela não tenha consciência da importância daquela imagem naquele momento.

Ela não está pensando em como será olhar aquela fotografia aos 20, 30 ou 40 anos.

Quem pensa nisso são os adultos. São os pais que estão construindo um acervo da história da família. Os avós que querem guardar aquela fase. É a família que sabe que aquela criança vai crescer. E vai crescer rápido.

A fotografia acaba fazendo uma espécie de ponte entre quem era, é e será aquela criança.

Por isso, fotografar a infância é tão importante.

É registrar uma fase em que a criança talvez não consiga, quando adulta, recuperar sozinha muitas das lembranças que viveu. E também é dar àquela criança algo que ela poderá descobrir mais tarde: um pedaço visual da própria história.

E existe outra coisa que considero essencial

A infância acontece em movimento. Às vezes existe uma pose. Muitas vezes existe uma brincadeira.

Existe uma careta, um abraço, uma descoberta, uma corrida e até aquele momento em que a criança simplesmente não quer olhar para a câmera. Eu prefiro respeitar esse tempo.

Quando eu fotografo uma criança em Ensaio ou Festa de Aniversário, meu objetivo principal é fazer fotografias que tenha srelação com aquela criança e com a fase que ela estava vivendo.

Daqui a alguns anos, talvez ela não se lembre

Talvez não se lembre daquele dia. Mas poderá olhar para uma fotografia e encontrar pistas da própria história.

Poderá ouvir dos pais: “Olha, você tinha essa idade.” “Essa era a sua festa.”

E talvez uma imagem que hoje parece apenas mais uma fotografia de infância se torne, no futuro, uma das poucas janelas para uma fase que a memória autobiográfica não conseguiu preservar por completo.

É por isso que acredito que fotografar crianças é também guardar histórias para o futuro.

A criança cresce. A memória muda. A fotografia fica.

Sou Sabrina Cayres, fotógrafa em Vinhedo, e acredito que fotografar é mais do que registrar o que está acontecendo hoje. É criar uma forma de revisitar histórias que, com o passar dos anos, talvez já não estejam tão presentes na memória.

Meu trabalho é transformar momentos vividos em imagens que possam continuar contando essas histórias no futuro.

2 thoughts on “Amnésia Infantil: Por que fotografar a infância pode ser tão importante”

  1. Renata says:

    Nossa , é muito verdade isso . Nos recordamos de coisas e eventos devido aos registros fotográficos que temos da época .
    Pena estar longe da Sabrina e não poder ter mais registros em uma
    Visão profissional .

    Responder
  2. Vinícius Di Nardo says:

    A Sabryna é uma excelente profissional. Sempre que precisei ela me atendeu com muita presteza e qualidade nos serviços. Recomendo!

    Responder

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